sexta-feira, 26 de outubro de 2007

DIÁRIO DE UMA ANA/MIA - parte I


"Eu não como sempre de maneira regular. Às vezes, sou dominada por um estado de espírito estranho que me leva a comer muito, estado que considero o estado de decadência de um ser humano que decaiu moralmente.
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Quando começo a comer muito, um pessimismo, um profundo desespero, uma indiferença total, uma incapacidade de tomar decisão porque não há nenhum desejo nem alegria por nada, tudo isso toma conta de mim.
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Então eu não trabalho, fico completamente embrutecida e muito mole. Como e durmo quase o dia todo. Depois engordo uma enormidade, como se tivesse inchada. Minha aparência exterior muda, e fico com outra cara. Não quero me vestir, posso por roupas velhas e largas, não me penteio e não me lavo. Em meu quarto reina nesse momento uma desordem horrorosa e, bagunçados, peças íntimas, roupas, livros e objetos diversos cobrem o chão em um caos total.
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Quando me encontro nesse estado, comer torna-se pra mim uma paixão invencível que não posso combater. Doces e bolos exercem, então, sobre mim uma atração tão forte que eu me comparo a uma alcoolatra ou drogada.
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Qualquer desgraça, amor próprio ferido, ofensa, perda de confiança em si pode causar esse estado. A isso somam-se, então, um doloroso sentimento de inferioridade e um profundo desgosto de mim mesma e de meu corpo. Sinto-me suja, asqueirosa, repulsiva.
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Ainda a noite é completamente insuportável, e no dia seguinte eu me levanto transformada, sem saber por quê; sinto-me bem, dinâmica, enérgica, de bom humor. Então como pouco. Quando estou em um estado psíquico muito bom, nem como. Sinto-me particularmente bem, alegre, com moral e não como, apesar de sentir fome.
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Mas se eu como para aplacar minha fome, o remorso, o medo e a melancolia me invadem, sinto-me de novo profundamente decaída moralmente, acho que estraguei tudo e prometo a mim mesma não fazer isso de novo. Com um enorme esforço, tento sair desse estado e me sinto completamente desesperada quando fracasso. E fico assim enquanto nao consigo permanecer sem absorver alimento e assim me livrar de todos os sentimentos torturantes, reestabelecendo a disposição de humor da abstinência".
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Você se identifica com o relato deste diário?
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E no seu caso, o que acontece é similar?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

COMER NADA - PARTE 2


Bem, no post anterior foi contado a história real de uma menina chamada Catarina e sua anorexia...
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E você, qual a sua história?
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Já parou pra perceber que, assim como a história da jovem Catarina, a sua história é carregada de dor, perdas e culpas?
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E a sua relação com a sua mãe, é marcada pelo que?
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Já reparou que, assim como Catarina, você tenta dar um caráter socialmente aceitável ao seu “comer nada”, aquilo que você chama de Ana/Mia Life Style?
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Se você parar para observar, vai perceber que por trás do discurso anoréxico existe uma espécie de embate cujo objetivo é a conquista imaginária de um poder sobre si. O pensamento onipotente das anoréxicas por “coincidência” é igual ao dos “santos” e envolve algo como: “Se a vontade humana é tão poderosa, ela deve dominar suas paixões a ponto de suprimi-las”. A anoréxica usa a comida para exercer esse domínio até suprimi-la o máximo possível, já os ‘santos” e religiosos usam o sexo até suprimi-lo de forma total...
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O que vemos na verdade, é que essa tentativa de domínio tem ceifado muitas vidas e, em alguns casos, produzido algumas aberrações sexuais que pode ser visto pelo fenômeno crescente da pedofilia entre religiosos.
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Será que a anorexia é apenas um recurso válido para emagrecer ou é realmente uma doença provocada por intensos sofrimentos psíquicos?
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Será que você sabe realmente o que está acontecendo com você?
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É que, muitas vezes, estamos tão mergulhados no problema que fica difícil de enxergar sozinho o que está acontecendo.
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É quase como se fosse uma cegueira auto-sabotadora em que você segue reproduzindo comportamentos sem se dar conta do que está por trás deles.
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O que está por trás da sua anorexia?
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Consegue responder a essa pergunta? Tente! Faça um coment!
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Você deve estar numa idade entre 14 e 22 anos. É nessa idade que você define o que você vai ser pro resto da vida...
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E aí, o que te parece ficar assim pro resto da vida...?
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Se acha que não tá bom do jeito que tá, não tá na hora de pedir ajuda para tentar mudar isso?
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Aguardo mais coments para publicar novo post!

domingo, 14 de outubro de 2007

COMER NADA


Além de não adiantar nada para quem quer emagrecer, deixar de comer é uma grande desculpa pra se sentir mal de forma consentida, ou seja, é uma autorização dada para se sentir mal usando como argumento um possível bem que pode ser conquistado através desse sofrimento auto-imposto.
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Esse argumento é válido? Será?
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Quem já fez no-food sabe das pseudo-promessas de felicidade que a perda de peso traria. Quem já não atingiu o peso ideal através de NF e, no lugar do paraíso prometido, encontrou literalmente o inferno das obsessões?
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Esse argumento do ideal de felicidade e de conquista do paraíso é mais velho que a bisavó da minha tataravó. Na idade média já existiam aquelas que se diziam “santas” e que se abstinham por dias e dias de qualquer alimentação em nome de um suposto bem maior. Uma dessas Santas anoréxicas é Catarina de Siena.
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Por trás da Santa e de sua anorexia, existia antes uma menininha e toda uma história. Catarina era a 24ª de 25 irmãos e era gêmea. Sua irmã foi criada por uma nutriz e morreu rapidamente. Catarina foi alimentada no seio da mãe, que nunca lhe deixou de recordar que ela é sua favorita, já que lhe sacrificou a irmã gêmea. A relação de Catarina e sua mãe foi marcada por situações de cólera, de fúria e de infinitas censuras, mas os excessos dessa relação eram evidenciados também por uma extrema dependência e cumplicidade de ambas.
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Quando Catarina era apenas uma jovenzinha, a mãe decide arranjar um bom casamento para ela a fim de resolver os problemas financeiros da família. A pressão é tanta sobre Catarina que ela é enviada para sua irmã mais velha que também tenta convencê-la a casar-se. Enquanto está na casa da irmã, esta acaba por morrer de parto. Catarina sente-se extremamente culpada e volta para casa da mãe. Chegando lá, a mãe decide que Catarina devia casar-se com o viúvo de sua irmã. Tal coisa é de tal monta inominável que leva Catarina a recolher-se em si e iniciar um jejum austero e sobre-humano. Naquele tempo comer nada era chamado de jejum e seu caráter místico religioso camuflava a complexidade do sintoma e o tornava aceitável socialmente.
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Quando Catarina por fim morre, ela está tão magra que seu umbigo quase lhe tocava o rim.
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(to be continued...)

domingo, 7 de outubro de 2007

Anorexia - Apenas uma forma de emagrecimento ou uma doença?

Ontem estava conversando no MSN com uma garotinha de 14 anos...

No meio da conversa ela me diz: "morro de inveja de quem tem anorexia"!

Por "coincidência", no mesmo dia, uma outra garota com 16 anos diz: "eu quero ter "ana"...

Recentemente vi num blog uma "receita para ser ana"...

É possível imaginar que a "única" forma de emagrecer seja através de uma doença?

É possível encontrar algum tipo de felicidade através da Anorexia ou da Bulimia?

Existe algo do que se invejar numa imagem como vemos acima?

Olhem pra esse olhar! Olhem pra alma dessa pessoa! Vejam além dos ossos...

O que vocês vêem?

Tristeza...
Abandono...
solidão...
desilusão...

Alguém consegue ver algum tipo de felicidade nessa imagem?

Vou compartilhar com vocês um post que me comoveu muito:

"Não sei como comecei a miar, só lembro que sempre quis ser magra, e já fui por sinal, já fui magrela e na época detestava, e estou aki hj tentando correr atrás de 5 anos de prejuízo físico, pq o corpo tá lento, já não emagreço com a mesma facilidade, e principalmente do efeito colateral psicológico, não me permito mais me acabar por causa dessa maldita Bulimia, sim detesto chamá-la de mia, parece que temos um laço de intimidade, e não qro mais nenhuma intimidade com ela, ela me tirou mtas coisas, ela me estragou quero voltar a ter vontade de sair, qro voltar a dar risada como eu dava, eu qro comer sem culpa eu qro comer e não vomitar, nem tomar laxantes ou chá de sene, eu qro voltar a ser uma pessoa FELIZ !!! Quero voltar a viver...

E você, quer voltar a ser feliz?

Quer voltar a viver?

(o texto vai continuar sendo escrito durnte todo o dia...)

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

DOIS MESES DE THINSPO...


O Thinspo completa dois meses hoje...
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Podia fazer um post enorme contando as venturas e desventuras passadas nestes dois meses.
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Mas não vou fazer isso...
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Hoje queria apenas dizer obrigada a todas aquelas que tiveram coragem para confiar...
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Queria agradecer pelas lágrimas derramadas...
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Pelos sorrisos distribuídos...
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Por todas as trocas de carinho...
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Por todos as visitas no blog...
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Por todos os coments...
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Enfim, obrigada!
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Meu desejo é que vocês possam se sentir aqui no Thinspo como nas palavras de George Eliot:
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" Ah! O inexplicável conforto de se sentir seguro com uma pessoa em que se pode confiar
sem ter que pesar os pensamentos,
nem medir as palavras,
simplesmente podendo dizer tudo,
na forma como as palavras vêm,
com o joio e com o trigo junto,
na certeza de que uma mão hábil vai separá-los,
mantendo aquilo que é bom
e, com um sopro suave, vai deixar o resto ir com o vento"...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

SAINDO DA CAVERNA...



Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, algumas pessoas estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas a frente, não podendo girar a cabaça nem para trás nem para os lados.
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A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior. Entre a luz e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens de fora da caverna transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.
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Por causa da luz e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede no fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
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Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginavam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
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Que aconteceria se alguém conseguisse se libertar? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
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Num primeiro momento ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda a sua vida, não vira senão sombra de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.

Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los. Que lhe aconteceria nesse retorno? Será que os demais prisioneiros acreditariam em suas palavras? Será que ouviriam as suas palavras e, contra a vontade dos demais que preferiam a caverna, também decidiriam sair da caverna rumo à realidade? (Alegoria da Caverna - de Platão)
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E quanto a você? Que escolha você faz, permanecer na caverna ou sair dela?

O mundo que você vive é o da realidade ou o das sombras? O que você tem vivido, uma vida cheia de potencialidades ou você vive a vida como se tivesse preso a correntes? Qual é a sua caverna particular a que você foi submetido desde a infância? O que são essas imagens que você vê, vida real ou apenas sombras? É possível sair dessa escuridão, desse estado de tristeza, dessa solidão?
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O trabalho do Thinspo é o de alguém que já conheceu a escuridão dessa caverna, que já viveu tudo isso e conseguiu se livrar dessas correntes e que está de volta para dizer que existe um mundo além dessas sombras. É possível ver um mundo de cores além desse todo preto...
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Quando estamos mergulhados nisso, na tristeza, no abandono, no sofrimento e na anorexia e bulimia que, muitas vezes decorre disso - temos a tendência de acreditar que a vida é só isso! Mas não é! E o Thinspo quer exatamente mostrar isso, que é possível sim sair dessa caverna, que é possível sim ver outro mundo além do mundo das sombras.
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O trabalho do Thinspo é, então, ajudar você a sair da caverna para ver a realidade, para deixar de ser submisso a essa falsa realidade que vem sendo apresentada a você desde a infância. Estamos convidando, cada um de vocês, para acordar para esta realidade para que se possa descubrir o verdadeiro mundo que existe e que vocês ainda não conhecem.

É fácil? Não, não é. Mas é possível! Acredite!

No Thinspo é feito um lento e persistente trabalho rumo à saída desta caverna. O trabalho envolve uma série de etapas que vão desde a compreensão do que é esse mundo das sombras particular de cada um, passando pela quebra dos grilhoes até seguir rumo à saída da caverna.

Durante todo esse caminho, o corpo não é esquecido. Ele vai sendo cuidado para que possa dar conta dessa caminhada, já que os anos de caverna o debilitaram demais.