quinta-feira, 23 de julho de 2009

...


Há um pouco mais de dois anos recebi uma ligação de uma amiga. Ela me disse:

-"tá passando uma peça fabulosa chamada 'Alma Imoral' (Nilton Bonder), você pecisa assistir!

- Onde tá passando?

- "no Rio de Janeiro!"


Peguei o avião, fui assistir a peça e comprei o livro de mesmo nome...


Entre muitas coisas desse livro está um capítulo chamado "Conterrâneos de alma":


"No salmo 119, é dito a D'us: 'Eu sou um estrangeiro na terra, não esconde de mim teus mandamentos." Sobre esse versículo o rabi Baruch comnou: 'Aquele que experimenta o exílio e chega a uma terra alienígena, nada tem em comum com as pessoas do lugar e ninguém com quem conversar. Mas se um segundo estrangeiro chegar, mesmo que ele seja de um lugar totalmente ditinto do primeiro, os dois possuem muito em comum e se identificam, criando vínculos de forte amizade...


A peça e o livro me tocaram fundo na alma.

Dois meses depois peço demissão do meu emprego público federal...

Nesse meio tempo, encontro aqui na internet um pedido de socorro de alguém que queria sair das garras da "Ana". Resolvo responder a esse pedido de ajuda e assim surge o blog perfection.


Aqui no blog conheci pessoas maravilhosas, estrangeiras como eu, e estabeleci com elas fortes vínculos de amizade.

Nesse encontro, descobri que a anorexia não revelava o que essas pessoas eram e sim que a anorexia escondia a melhor parte dessas pessoas.

Resolvi fazer mestrado para tentar revelar não a doença mas o sujeito por trás da doença. Na Universidade e na literatura científica sobre anorexia o sujeito que sofre desse sintoma é confundido com a própria doença.

Na minha dissertação de mestrado eu tentava mostrar exatamente esse equívoco dos profissionais que tratam de anorexia.

Durante todo o trajeto do mestrado tive que lidar com a total inflexiblidade do meu orientador em relação a esse tema e pior, tive que participar da farsa de ir para a qualificação do trabalho sem que ele sequer tivesse lido o trabalho e me orientado.

Na qualificação do trabalho (que é feito diante de uma banca) tive a surpresa de que a outra pssoa da banca também não havia lido o trabalho.

Um dos comentários que mais me chocaram foi esse:

"Quando você fala desse pedido de socorro que você viu na internet, você tem que ter cuidado porque isso é típico de anoréxica falsa, porque a anoréxica verdadeira não pede ajuda..."


Como dizer pra essa senhora jurássica que isso não era verdade? Como dizer que o sofrimento dessa garota que pediu ajuda era real sim pq eu vi de perto isso? Como dizer pra ela que meu trabalho era exatamente sobre profissionais incompetentes como ela?


Isso aconteceu há três semanas. E, desde lá, e venho ruminado essa história.

Ontem eu me deparei como seguinte texto:



Nele percebi que eu tava precisando virar a mesa de novo não só com isso mas com outras coisas também...

Cheguei novamente à mesma conclusão de dois anos atras: nada vale o preço de nossa felicidade...


Que assim seja!


Adoro vocês!


domingo, 19 de julho de 2009

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo
outra parte é ninguém
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera
outra parte
delira.
Uma parte de mim

almoça e janta
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem
outra parte,linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
que é uma questão
de vida ou morte
será arte?
(Ferreira Gullar)

http://www.youtube.com/watch?v=G7HLmz4NvhM


20/07 - Dia do Amigo